Como ser um bom catequista?

Um momento importante da animação pastoral da Igreja onde se pode sapientemente descobrir a centralidade da Palavra de Deus, é a catequese.

Nela acontece novamente o encontro dos discípulos de Emaús com Jesus, descrito pelo evangelista Lucas (24, 13-35). Este encontro, representa em certo sentido, o modelo de uma catequese em cujo centro está a “explicação das Escrituras”, que somente Cristo é capaz de dar.

Não devemos esquecer que a catequese tem o dever de ser impregnada e embebida de pensamento, espírito e atitudes bíblicas e evangélicas, mediante um contato assíduo com os próprios textos sagrados; que a catequese só alcançará a sua riqueza e eficácia, quanto mais ler os textos com inteligência e o coração da Igreja. (V. D. 74)

Convido-vos a fazerem a experiência de refletir nas salas de catequese os fundamentos mais elementares do Catecismo da Igreja, e verão que eles serão luzes que iluminarão o caminho de fé de vossos catequizandos por toda a vida. Eles reconhecerão que aquilo que a nossa fé católica transmite aos batizados é para que eles tenham, até os últimos dias, sua existência na vida de Deus.

O horizonte para o qual deve tender todo caminho pastoral, inclusive a catequese, é a santidade. O catequista é o primeiro a viver e ser o protagonista de que o batismo é um verdadeiro ingresso na santidade de Deus. Disse o Beato João Paulo II no final do Jubileu do ano 2000; “Seria um contrassenso contentar-se com uma vida medíocre, pautada por uma ética minimalista e uma religiosidade superficial”. (N. M. I. 31)

Muitos que se deparam com a afirmação do Beato João Paulo II é impactado fortemente! Ou para abandonar a missão que está realizando, como os discípulos de Jesus que foram embora (Jo 6), ou para afirmar com mais força, aquilo que com amor foi rezado por Pedro: “A quem iremos Senhor? só tu, tens palavra de vida eterna!”

Às vezes nos reclamamos: os nossos pastores estão preocupados com a formação catequética? Mas, a Igreja não é só os pastores. São todos os batizados! Dentre eles, destacam-se os pastores, que foram tirados do meio do povo, para serem formados e, voltando ao povo, o instrua. A missão de instruir na fé é o dever de todo o cristão batizado. Se os pastores falham em sua missão, tomemos a frente nós, no que nos é possível a fazer, criando em nosso coração um interesse de educar na fé os irmãos abandonados.

Os catequistas na Igreja ocupam um lugar eminente! Estão eles à frente dos leigos que exercem o ministério de ministro extraordinário da Eucaristia, coordenador de pastoral ou de comunidade, etc. Por quê?

Porque são eles, depois dos ministros ordenados que estão à frente de nossas paróquias, os legítimos representantes do Bispo, junto ao povo de Deus. Os catequistas educam na fé! Participam do “múnus episcopal” no ensinamento que é próprio do bispo.

O catequista é aquele que tem consciência de que a vida cristã não é uma peça teatral no mundo, onde ninguém deve viver de fingindo que é de Deus. Que a Santa Missa não é um encontro social, comparado a qualquer movimento sindical, reunião privada etc. Mas, o momento da manifestação de Deus, em que as palavras, os hinos, os gestos e ações são grávidos de Deus.

Quando assumimos uma vocação, obviamente renunciamos todas as outras. A exigência é dada, a renúncia é certeira. Se não sabem, a missão de catequizar requer um encontro pessoal com Jesus, para não sermos cristãos garçons, onde ensinam que Deus é paz, perdão, alegria, amor, misericórdia, etc., mas não experimentam nada do que oferecem.

Um encontro verdadeiro com Jesus Cristo exige uma mudança de comportamento, atitudes e pensamentos. Modos como o vestir, falar, rezar etc., porque tudo em nós ensina e fala de verdade a quem servimos.

Em meio as nossas atividades diárias, não nos esqueçamos de que somos embaixadores de Deus. De que as crianças, os jovens e o povo de Deus precisam de quem, em nome de Deus, lhes sirva de pai, de mãe, de irmão, de mestre, de tudo!

São João Calábria chamava a atenção de seus irmãos de comunidade para nos encontros com os pobres, a amar as suas almas e, não, a suas aparências externas.

É fato! A verdadeira catequese se dá não com palavras, dinâmicas e encontros vazios, mas com palavras, gestos, amor e muito, mais muito amor verdadeiro por Deus nos irmãos.

E no final de nossa vida terrena, Jesus repetirá o que disse a Natanael: “aí vem um cristão de verdade, um homem sem falsidade! Pois, o maior pecado de Judas foi a falsidade.

Dicas para ser um bom catequista

       I.    Seja uma pessoa de oração (CIC 2663). Nunca comece ou termine qualquer atividade religiosa sem a oração;

    II.     Seja uma pessoa integrada na comunidade. Não pense que a sala de catequese “é sua”. Você tem a missão de instruir em “nome da Igreja”, não em seu nome;

 III.     Tenha um gosto pela Palavra de Deus e a Tradição. Ame o Catecismo da Igreja Católica, tire dele o ensinamento que os seus catequizandos necessitam;

  IV.    Procure ter qualidades humanas necessárias para trabalhar com pessoas, se possível, com a ajuda de profissionais competentes. Procure ser uma pessoa equilibrada, pontual, respeitosa, limitada no linguajar a ser utilizado para melhor compreensão da mensagem;

     V.    Saiba trabalhar em equipe. Procure ajuda sempre que precisar falar de assuntos delicados, sobre a fé. Existe uma equipe paroquial de catequese, esteja associado a ela;

  VI.    Tenha amor pelos catequizandos. Procure ter noção de psicopedagogia. Conheça os familiares de seus catequizandos, crie encontros que os envolvam;

  1. Seja autodidata na Doutrina da Igreja. Participe dos encontros formativos que a equipe paroquial, regional e diocesana de catequese disponibiliza;
  2. Planeje junto com a equipe paroquial de catequese o cronograma, os assuntos e as celebrações de sua sala de catequese;

 IX.     Crie consciência de que você faz um serviço para Deus, em Nome da Igreja, para a Igreja e com a Igreja (DGC pág. 162 cap. 156). O catequista não age sozinho, não diz o que quer e como quer;

    X.     Seja capaz de respeitar a individualidade da cada catequizando, amando-o com um amor singular. Muitos não são tratados com carinho em casa, na Igreja deve ser diferente;

Atenção! Cristo deve ser o centro da catequese (CIC 426)! Pois, sua finalidade na Igreja é levar os cristãos batizados a um perfeito conhecimento de Jesus Cristo, nosso Salvador e Deus, com o Pai e o Espírito Santo (CIC 428-429).

As pistas que trago aqui devem ser acolhidas com amor, porque se não, causará reações contrárias na vida do catequista. Espero que este texto seja assimilado por você amado catequista que doa a sua vida por amor a Jesus Cristo e a sua Igreja, com o seu sim ao Reino.  Você é importante na vida das pessoas de fé. Lembre-se de que muitos vão lhe agradecer no futuro pelos ricos momentos que você lhes proporcionou em sua sala de catequese. Deus te abençoe e parabéns pela sua missão!

Autor: Cônego José Wilson Fabrício da Silva, ocrl

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